Exposições
 
 
TODA FORMA
Individual, 2013
O trabalho de Rinaldo Morelli transita por variados universos e linguagens. Esta exposição revela um desses universos, o recorte da realidade pelo viés do abstracionismo e do grafismo, linguagens que ele domina com maestria, com delicadeza e, principalmente, com o prazer de revelar belezas ocultas. Para nosso benefício, esse prazer e essa beleza transpiram de suas obras.

As imagens de Toda Forma foram captadas com câmera analógica, técnica pela qual o autor tem especial carinho. Elas não têm cortes posteriores; o que vemos na exposição é aquilo que o fotógrafo viu no momento do clique. À vontade tanto com as câmeras digitais quanto com as máquinas antigas, das quais é colecionador, ele gosta dos desafios do trabalho meticuloso que a fotografia analógica exige.

Fortemente influenciado pela estética do movimento fotoclubista dos anos 1950 e 60, assim como pelas vanguardas artísticas do início do século XX, em especial o construtivismo russo, Rinaldo se autodenomina moderno. No entanto, percorre com desembaraço as trilhas da arte contemporânea, tanto na sua produção imagética quanto teórica. Ele é um pensador, e gosta que seu trabalho suscite reflexão. No caso desta exposição, reflexões sobre todas as formas, todas as luzes, todos os tons.

Usha Velasco
(Fragmento do texto original)



O Turista
O turista é um mapeador do mundo. Quer guardar a paisagem, aparecer na imagem e escrever sua história com fotografias. Porém a fotografia é mais. Sua magia tem alguns personagens, principalmente, três personagens: a imagem fotográfica, o espectador e o fotógrafo. Seu encanto acontece no imbricamento das três camadas e feito uma trança constroem novos significados que dependem do ponto de vista que adotemos. O turista é também um personagem, é ao mesmo tempo o autor e o ator. Quando pensamos nas fotografias de pontos turísticos percebemos que são todas parecidas, mas cada uma tem um significado especial para cada turista ao fazer o clique, ao mostrar para amigos ou parentes e ao reencontrá-la tempos depois. É um testemunho. Uma prova. Um rastro. É sua história. O turista quer mesmo dizer a todos: eu estive aqui.
Intervenção Desnuda
Coletiva 2010
Intervenção Desnuda é uma exposição coletiva que reúne os artistas do Circuito de Criação em Pirenópolis e convidados, que apresentam suas obras utilizando um suporte comum: um busto feminino.

Cada artista interfere no suporte da forma que melhor condiz com a sua proposta, gerando resultados surpreendentes.

A exposição fez parte da programação do 2°FLIPIRI- Festa Literária de Pirenópolis, que aconteceu na cidade de Pirinópolis-GO em março de 2010.

A mostra é composta pelos trabalhos de Vera Michels, Roque Pereira, Mercedes Monteiro, Claudia Azeredo, Rosane Regis, Cristina Galeão, Rinaldo Morelli e outros artistas.

A série Giselle, do fotógrafo Rinaldo Morelli, é resultado de uma busca pelo inusitado com pitadas de surrealismo.
Por que eu fotografo?
Coletiva 2008
É importante aliar a qualquer produção, principalmente
a artística, um boa dose de reflexão.

A multifacetada produção e difusão de fotografias que vivemos hoje, em uma constante e infindável sobreposição de imagens, coloca em segundo plano uma reflexão necessária não só sobre a qualidade do que estamos produzindo, mas também em relação a diversões questões que permeiam o fazer fotográfico.

Em Por que eu Fotografo? cada autor participante escolhe uma de suas fotografias e registra suas motivações para se expressar por meio da fotografia, explicando porque ele fotografa.
Um Outro Momento Decisivo
Individual, 2007
FOTOARTE 2007
Fotografar é um prazer multifacetado.

Capturar momentos para eternizá-los.

Guardar nos álbuns imagens de lugares onde estivemos. Às vezes posando diante da máquina ou só colecionando paisagens.

Fotografar é inventariar o mundo. As imagens existem antes no sensível e depois na realidade.

Coleciono imagens de pessoas fotografando. Quero a fotografia da fotografia. Um observador do cotidiano espontâneo dos fotógrafos que se multiplicam pelas ruas, bares, monumentos, por todos os lugares.

O mundo se fotografa o tempo todo.

São momentos capturados por onde passei nestes últimos 4 anos. São Paulo, Fortaleza, Natal, Pirenópolis, São Francisco, Nova York, etc.

Sou aquele que vê o que acontece na hora do click. Sou olhar fotográfico que vê a foto. Não olho no visor, mas participo como espectador, também eternizado.

Equivalências
Em Contato - Coletiva grupo Ladrões de Alma
FotoArte 2005
No ensaio Equivalências, Rinaldo Morelli faz da fotografia
algo mais do que uma impressão visual, pois a mudança
de escala dos detalhes transforma a imagem fotográfica
num forte apelo ao tato. Colocadas lado a lado, as
ampliações de texturas e da pele propõem um estado
de saudável vulnerabilidade. Se nas suas abstrações
anteriores ele propunham uma percepção diferenciada
dos objetos, reduzidos a cores e formas, Rinaldo Morelli
agora busca uma aproximação visceral das coisas.
O resultado é ainda um mundo percebido enquanto
sensações, mas agora esse mundo existe
para ser tocado.

Susana Dobal
Paradoxos
Coletiva Lugar Loquaz
FotoArte 2004
Um lugar nunca é um vazio.
No vazio fotografado existe sempre o fotógrafo,
embora este finja-se ausente.
Em lugares despovoados às vezes há rastros,
indícios de presença humana.
Uma cadeira vazia é um sinal com vários sentidos.
Alguém esteve ou estará ali, para ver a paisagem,
para olhar para o horizonte.
A cadeira vazia assiste a tudo.
São paradoxos fotográficos.
O voyeur olha a fotografia, não há como fugir
da intenção de se colocar no lugar do fotógrafo.
Estamos todos ali, mesmo estando ausentes.
Paradoxos.
O Passarinho é você!
Coletiva grupo Ladrões de Alma, 2003
Olha o passarinho!
Muitas vezes já ouvimos este comando.
Enquanto sorrimos, ás vezes sem graça, o fotógrafo olha misteriosamente o fotografado pelo visor.
Ao nos depararmos com a fotografia há sempre alguém que nos olha, lá de longe, lá de onde aquela pequena
porção de tempo faz parte.
O fenômeno fotográfico envolve basicamente três olhares:
o do fotógrafo, o do fotografado e do espectador.
Descobrimos o voyeur que se revela no encontro
com nosso próprio olhar.
Misture tudo: “O passarinho é você!”
Composições
Coletiva grupo Ladrões de Alma
FotoArte 2003
Não tenho compromisso com a realidade.
Embora a fotografia tenha esta ligação estreita, podemos negar e buscar uma poética que não esteja condicionada ao real.
Este trabalho é fruto de uma pesquisa fotográfica no sentido de negar a definição e a representação da realidade ao ponto de reconhecê-la.
São imagens sem foco e que propõem ao espectador abstrair essa relação que a fotografia tem com o real, mostrar massas de cor e luz, em um exercício conjunto de Composições.
Imagem Analógica
Coletiva do grupo Ladrões de Alma, 2003
Um mergulho na subjetividade de um olhar.
Este é o convite.
O real é interpretado em recortes abstratos.
Um passeio por imagens que não se entregam, guardam um segredo, um mistério; aqui, a beleza prescinde de reconhecer o objeto fotografado. Muito embora a fotografia analógica(aquela que não é digital) necessite da realidade para existir.
Imagem Analógica são fotografias sem truques, sem interferências ou manipulações digitais.
É uma releitura das imagens digitais através da linguagem da fotografia analógica. Por um lado, estas imagens remetem ao universo das imagens digitais; por outro, reafirmam as infindáveis possibilidades poéticas da fotografia.
Candângulos
Individual, 2001
Por entre curvas e retas da arquitetura
de Brasília novos recortes, novos ângulos.
São muitas possibilidades, imagens dentro de imagens.
Os desenhos nas fotografias constroem um mosaico,
e as fotografias cumprem seu papel: interpretar a realidade.
Escadas - Um fragmento do tempo e do espaço
Individual, 1999
As escadas estão sempre disponíveis, para cima, para baixo.
Na infância, em inconseqüente velocidade.
Na velhice, em taquicárdica lentidão.
Elas brotam do engenho do homem, procurando chegar a planos diferentes.
Imaginosas, algumas criam perspectivas intrigantes.
Outras, nem tanto. Fazem do subir e do descer algo repetidamente insosso.
Umas prometem surpresas, outras são filhas do óbvio.
Escadas falam do tempo e, tal como ele, nos vêem passar. Corrimãos. Mesmo sem serem tocados, marcam limites.
Guiam os olhos que noticiam aos pés onde estão pisando. Escadas. Pontos de partida, pontos de chegada.
Curto e ofegante espaço entre andares, onde, em algum momento, vivemos as necessárias pausas para tomar decisões, espantar o medo, ou fugir do fogo ou da vida.
De tanto para cima e para baixo, Rinaldo Morelli acabou por descobrir o encanto das escadas, fazendo dessa convivência, um exercício para sua percepção.
Atira-se ao assunto com competência e sensibilidade, ao mesmo tempo que parece contente com a natureza lúdica da tarefa.
São degraus, curvas, luzes e vultos em um vai e vem anônimo
Afinal, cabe à fotografia reabilitar para nossos olhos, coisas perdidas na mesmice cotidiana.
Rinaldo Morelli faz vir a tona a magia nem sempre percebida e, generosamente, nos oferece suas descobertas.

Luis Humberto Martins Pereira
Panorama das Artes Visuais
Coletiva, 1998
Mas é também possivel uma sensualidade, digamos,
mais mental. Não tanto agradar ao tato, mas agradar
uma busca de harmonia, puramente visual.

Susana Dobal
Professora Assistente, Faculdade de Comunicação, Universidade de Brasília, UnB.
Abstractus
Individual, 1987
“O significado mais amplo da facilidade da fotografia diz
respeito à sua capacidade de identificar, considerar e
fundir uma dúzia ou uma centena de idéias visuais no
tempo que era necessário a um pintor produzir um único esboço preliminar a óleo.
O importante da fecundidade sem limites não é produzir mais fotos mas, sim, mergulhar mais profundamente no
enigma sempre sedutor da visão: como conhecer melhor
o mundo através do olhar.”

John Skarkowski
 
17 de dezembro de 2017